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Bem vindos, a este lugar de devaneios

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Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos

O verbo tem que pegar delírio,… o que eu quero é fazer brinquedo com as palavras”

— Manoel de Barros.

Nada aqui é fixo, tudo oscila, o reino da gravidade onde tudo deságua e desaba, e por consequência flutua; a vertigem da palavra, o espanto da beleza, o delírio do verbo, travessia precária razão e loucura, desejo, gozo, celebração da dor; embriaguez do amor.

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invento meu rio

invento meu rio

Invento em mim

correntezas

invento meu rio

seus desvios

cascatas

a força das águas

o peso da queda

invento meu rio

que rola perigoso

Invento meu rio

meu rio ri

das graças

das garças

dos tombos

dos baques

meu rio me engole

destila seu hálito forte

Invento meu rio 

serpenteando solerte

entre grotas e matos

Invento meu rio

Invento seu ritmo faceiro

sua recusa à inércia

Sua insistência ao risco

seu contorno de beleza

sua imensidão de carícias

Invento meu rio

invento meu rio escorregadio

de longas beiras

Sem pedir licença para correr

Invento meu rio

Invento meu rio que vagueia errante

Que se vai 

vertendo saudade.

invento meu eu rio

me faço barco e remo

a esmo

eu rio a re-mar

re-amar no mar

Aquele pedaço

Ela fazia planos em frente ao mar, depois de ter pulado as sete as ondas e desejado o melhor de si para os dias vindouros.

O vai e vem da maré embalavam seus pensamentos e lhe enchia de esperança.  Esperaria ali na praia o sol que surgiria delicadamente anunciando um novo dia, com preságios de um ano bom.

O sol timidamente despontou na barra entre nuvenzinhas distraídas e o céu tingiu-se de cor. 

Junto àquela imagem de absurda beleza a  presença inevitável do imponderável.

Tempestades se moviam silenciosamente em seu corpo e desaguariam, sobre ela, os seus despropósito.

Tudo parecia vir sem motivo de  razão.

Num intervalo curto de tempo saía de um porto que conhecia para outro porto equidistantes que ignorava.

Se equilibrava na precariedade da fé, pêndulo oscilante de certezas vãs.

Precisava seguir. 

Movia-se, porque estava viva.

Para onde?

Naquele instante esta terrível  pergunta parecia uma  eternidade.

Para que?

Se deu conta que até aquele momento nunca tivera se atentado para a dimensão de perguntas tão simples e comprometedoras.

Se tudo que nos cerca se torna parte de nós, o que levaria nesta travessia?

Cortou parte de si, fósforo queimado.

Haverá de seguir faltando aquele pedaço.

creia

 amor é um quase tocar os dedos

é um instante suspendendo meu céu

amor é  fogo no cerrado, faísca incendiária

 é o nome  fácil do que se complica

clareza do dia em noite sombria

amor é modinha dolente de encanto e solidão

é um farta-se e nunca  saciar-se

é um perduar  já partindo

é palavra arranhando a garganta, fúria

é calor, substancia, luz, combustão, os seus lábios nus

é sangue na veia, água moldando pedras

amor é dente de leão levado pelo vento

é redemoinho, lâmina que talha

soluços que saltam

é vento cortante na boca da noite

alvoroço, arrepios

é corpo de moça despido no clarão da lua tão pura

amor é querência de tudo e pertença de nada

amorsina, amormente

creia,amor fala

creia e cala.

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